terça-feira, 21 de julho de 2009

Artigo

Em seu segundo artigo Yassine Ahmad Hijazi escreve sobre a relação amistosa entre Brasil, Paraguai e Argentina, como exemplo para o mundo. Confira o artigo.

Relações entre pátrias

*Yassine Ahmad Hijazi

Ao analisar o contexto sobre as relações internacionais fui transportado para a década de 20 – um período bem antes de minha existência. Naquele momento o mundo buscava luz para as teorias de convivência tendo como cenário a primeira guerra mundial. Houve até quem concordasse que o mundo ideal só podia ser obtido por meio da força, mas imediatamente tal idéia foi colocada onde estes absurdos devem morar: fora do convívio do pensar.

Quanto mais lia sobre os teóricos mais buscava parâmetros para desvendar o que posso chamar com toda propriedade de mosaico das civilizações. Foi neste momento que me vi cercado pela prática desta realidade exercida todos os dias, porém sem que nos demos conta. Falo das relações de convivência entre Brasil, Paraguai e Argentina. Aqui vive-se a diplomacia na pele, no olhar, no sentir e no falar.

Rejeito definições enlatadas, diagnósticos colocando está região na esfera da insegurança provocada por bases étnicas definidas como terrorismo. Ao contrário das tentativas de poluição social, essa massa humanizada mundialmente é um exemplo de convivência harmônica.

Vivemos, sim! sem grandes parâmetros teóricos, mas centrados pelo maior eixo, o do respeito ao outro e neste cenário vejo-me obrigado a citar um exemplo de relações internacionais. Ele não tem a ferocidade dos meandros que envolvem uma guerra, por exemplo, ele é melhor e, é nobre e por isso merece ser dito. Vamos lá: há exemplo maior de relações internacionais do que o gesto matutino da senhora Gonzáles, 67 anos, oito filhos.

Todos os dias ela passa a Ponte Internacional da Amizade para buscar no Brasil – Foz do Iguaçu – cinco pollos para transformá-los em alimento que se saboreado por brasileiros no Paraguai terá o sabor do frango, para o árabes será o farruj, para o alemão o Hähnchen, o inglês o chiken, para o italiano o pollastro...

Mais do que isso, o vendedor de eletrônicos com sotaque gaúcho oferecendo produtos com marcas da China, Japão, EUA, Felipinas e Malásia. A moça de olhos verdes e cabelos bem loiros – falo das que nasceram assim – oferecendo perfumes cujas mãos que os produziram são francesas, Espanholas e brasileiras. Porque não olhar os tecidos com toque coreano e tapetes criados pelas mentes turcas, dedos iranianos e braços afegãos.

Da Argentina vem o que a vida pode nos oferecer, então vamos aos cereais – pêssegos e damascos originários do Líbano, Síria e dos paises do mediterrâneo e aqui um pouco mais perto, do Chile. As bebidas da própria argentina e da Itália. E Aqui de onde falo, em todos os feriados, dias santos e as férias a cidade ganha novos moradores, temporários sim! porem o suficiente para trazer mais diversidade, mais alegrias e algo que é único e não vai embora, a cultura que é o coração dessa relação, mesmo que instantânea, mas imortal.

Se não bastasse traduzir por meio de cores, sabores e conforto, temos para somar a este triangulo mais de 72 nacionalidades. Aqui está 30% do mapa do mundo. Como não posso evitar, isso não parece um equilátero? Mais que isso é a fronteira respirando as relações humanas e nisso concordo com o pesquisador Hans J. Morgenthau de que “a natureza humana é a base das relações internacionais”.

*Yassine Ahmad Hijazi é jornalista e acadêmico de Relações Internacionais.

Comentários: ecopress73@hotmail.com

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