terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Estudo mostra preocupação dos jovens com questões coletivas

Carol Garcia da Rede Sou de Atitude (foto - Adolescentes e Jovens do Brasil - Participação Social e Política. Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF)

O Brasil tem 17,9 milhões de habitantes entre 15 e 19 anos. São adolescentes e jovens com alto potencial de participação na vida produtiva, cultural, social e política do País. Para contribuir com as ações de promoção dos direitos dessa população e estimular um processo participativo, o UNICEF, a Fundação Itaú Social e o Instituto Ayrton Senna apresentam a pesquisa Adolescentes e jovens do Brasil: participação social e política. O estudo foi feito em âmbito nacional e realizado pelo Ibope Opinião.Foram entrevistados 3.010 adolescentes moradores de capitais e do interior de todas as regiões brasileiras e 210 indígenas de 15 municípios. Para a pesquisa qualitativa, também foram ouvidos 42 adolescentes de oito capitais e duas cidades do interior, e organizados dez grupos de discussão com jovens que já exerceram algum tipo de liderança. Juntos, esses componentes revelam a percepção da adolescência em relação ao que consideram prioridades para o desenvolvimento do País e apontam caminhos importantes para a formulação e implementação de políticas públicas que envolvem a faixa etária entre 15 e 19 anos. Em geral, os entrevistados expressam uma visão crítica em relação ao País. Eles apresentam uma forte preocupação com questões coletivas, muito mais do que com problemas individuais, e estão abertos para colaborar. A intolerância com a corrupção, a consciência sobre a discriminação racial e a angústia gerada pela falta de segurança no País destacam-se no estudo. Entretanto, faltam referências positivas sobre como efetivamente participar, mudar a história, seja no âmbito da família, da escola, da comunidade, ou em relação à política, ao esporte, ao lazer e à cultura. Eles atribuem à sociedade em geral, mais do que ao próprio adolescente, a responsabilidade por essa falta de participação. Entre os indígenas entrevistados, evidencia-se uma visão mais positiva em relação ao povo brasileiro, aos seus professores e a sua comunidade. A questão ambiental está no centro de suas preocupações. É esse o grupo que mais se sente discriminado e que enfrenta as maiores dificuldades na obtenção de um trabalho formal. Iniciativas de diversas organizações não-governamentais foram citadas na publicação para ilustrar o potencial de participação dos adolescentes em sua comunidade, escola, família, indicando algumas estratégias positivas de transformação social. Os temas levantados pelo estudo também são comentados por especialistas e pesquisadores e complementados por informações oferecidas por outras fontes, o que permite interpretar os resultados do estudo de forma contextualizada. Uma dessas experiências – o Programa SuperAção Jovem, do Instituto Ayrton Senna – aplicou o mesmo questionário da pesquisa Adolescentes e jovens do Brasil entre seus participantes. O programa, desenvolvido em escolas públicas brasileiras, procura ampliar as oportunidades educativas e apoiar uma postura participativa dos adolescentes em relação à sua escola e sua comunidade. Os resultados dessa amostra serão apresentados em uma publicação à parte, chamada SuperAção Jovem: uma solução educacional para a juventude, que será lançada na mesma ocasião. Mais do que gerar dados estatísticos, Adolescentes e jovens do Brasil inicia um processo de consulta a ser continuado por iniciativas de organizações governamentais e não-governamentais. Os dados apresentados podem trazer subsídios para práticas participativas e políticas de saúde, educação, profissionalização, justiça, cultura e esporte, capazes de proporcionar uma vivência plena da adolescência e juventude no País, com envolvimento das famílias, dos próprios adolescentes e jovens e de suas comunidades.



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